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Eliane Bastos
Consultora de Marketing da Ello Consultores
Publisher no portal Feiras Industriais
Blogueira no Marketerapia

 
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abit

 

 

Fernando Valente Pimentel

A pandemia de Covid-19, além dos gravíssimos danos à saúde, ameaça à vida e estagnação econômica, fez o mundo despertar para uma questão complexa da globalização: a excessiva dependência de um país para a oferta de uma série de insumos e produtos essenciais. O tema, que já vinha sendo discutido de modo crescente na agenda da sustentabilidade e das possibilidades que estão se abrindo com o advento da Indústria 4.0, ganha dimensões muito mais claras nesta guerra da humanidade contra o terrível micro-organismo.

O deslocamento de numerosas cadeias produtivas para a Ásia, com destaque para a China, fenômeno que vem se aprofundando nos últimos 30 anos, escancara agora a vulnerabilidade das nações do Ocidente, dentre elas o Brasil. Várias já discutem e começam a se organizar para retomar a fabricação local em áreas estratégicas, de saúde, defesa, inteligência e tecnologia, na esteira da percepção de que perderam ou tiveram muito reduzida a capacidade de produzir internamente.

Tal consciência, que não precisaria de um episódio tão grave para despertar, mostra o exagero ocorrido no processo de transferência industrial à Ásia. Assim, exige-se repensar, sem uma visão radical de economias autárquicas, o desenvolvimento da manufatura, de maneira moderna, com políticas industriais eficazes, que proporcionem segurança e uma base estrutural para o bem-estar de cada povo.

A indústria têxtil e de confecção brasileira está demonstrando a importância dessa reorientação das cadeias globais de suprimentos. Em dois meses, teve a capacidade de converter e adaptar suas plantas para fabricar rapidamente máscaras, jalecos, aventais e outros equipamentos de proteção individual, essenciais para atender e proporcionar mais segurança aos profissionais da saúde e à população na guerra contra o novo coronavírus. Ou seja, algo muito importante para não ficarmos à mercê da produção externa, que foi até sequestrada por governos no esforço para cuidar de suas populações.

Uma pandemia como a que enfrentamos é dolorosa demais e acarreta muitas perdas. O Brasil não pode sair dela sem agregar conhecimento, aprendizado e sabedoria no tocante aos equívocos referentes à desindustrialização. Torna-se evidente que precisamos de uma política industrial vigorosa, fundamentada em inovação, sustentabilidade e no desenvolvimento tecnológico inerente à Manufatura Avançada, que eleve a indústria de transformação a uma participação de pelo menos 20% no PIB nacional, ante os 11% atuais, num horizonte de 20 anos.

Ficou muito clara neste momento, embora muitos viessem há tempos dando de ombros para a indústria, a importância de termos este setor forte e estruturado. Não se trata de subsídios ou protecionismo, mas sim de trabalharmos na redução do "custo Brasil", que gera ônus adicionais de 1,5 trilhão de reais por ano à nossa produção em relação à média da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), conforme estudo do Boston Consulting Group e Movimento Brasil Competitivo (MBC), do qual participaram a Abit e outras 12 entidades.

Em curto prazo, não podemos perder de vista a paralisia mundial presente e o risco de uma invasão de produtos importados a preço de liquidação, devido às condições peculiares do mercado global, de muita oferta e baixa demanda. Precisamos de muito foco nessa questão, para que a necessária reindustrialização não seja ainda mais dificultada pela conjuntura atípica que vivemos neste momento.

A indústria têxtil e de confecção brasileira, uma das cinco maiores do mundo, que emprega diretamente 1,5 milhão de pessoas, a despeito das dificuldades, mantém-se estruturada e organizada, provando isso com sua capacidade de ação e reação ante a pandemia. Está preparada para a nova tendência de reposicionamento da produção global, que poderá ocorrer. Para isso, como toda a manufatura, precisa de condições adequadas a um novo salto de investimentos, combinado com inovação, design, criatividade, sustentabilidade e geração intensiva de empregos, vocações peculiares ao setor e sua cadeia de valor, desde a produção de fibras naturais e sintéticas, fios, tecidos, confecções, linhas e aviamentos, até a distribuição e consumo. São fatores decisivos para recuperarmos o enorme contingente de postos de trabalho já perdidos e os que ainda poderão ser fechados.

Tem jeito sim. Só depende de nós!

Fernando Valente Pimentel é presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

  

 

 

Com o cenário incerto de 2020 e as dúvidas com relação à evolução da pandemia ao longo dos próximos meses, a ForMóbile - Feira Internacional da Indústria de Móveis e Madeira tomou a difícil, porém necessária, decisão de rever sua data de realização.

A feira será postergada para 2021 e a data oficial para estarmos juntos presencialmente está definida: de 22 a 25 de junho de 2021.

Com isso, excepcionalmente, a ForMóbile realizará duas edições subsequentes, em 2021 e em 2022.

Desde a primeira edição da Feira ForMóbile, já se passaram 16 anos e temos muito orgulho de tudo o que construímos junto com você até aqui. Por isso, entendemos que essa é uma atitude que reflete nossos valores e reafirma a nossa intenção de compreender o mercado, respeitar nosso público e fortalecer o setor, entregando nosso melhor, pois assim continuaremos sendo a feira referência para o setor na América Latina.

Acreditamos também que essa situação é provisória. O setor moveleiro já atravessou outros recessos e períodos de dúvidas, mas sempre se reergueu. Estamos juntos agora e estaremos juntos na jornada de recuperação e retomada.

Equipe ForMóbile

 

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